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IA Agêntica

AI Gateway na prática: como controlar modelos, acessos e consumo de IA

Uma empresa utiliza inteligência artificial no atendimento ao cliente, na análise de documentos e na automação de processos internos. Cada aplicação pode acessar modelos diferentes, com fornecedores, credenciais, preços e limites próprios.

Enquanto essas iniciativas são isoladas, o consumo pode ser acompanhado individualmente. O problema aparece quando dezenas de aplicações e agentes passam a utilizar diferentes serviços de IA, sem que exista uma visão comum sobre acessos, políticas e utilização dos recursos.

Esse cenário já faz parte da realidade de muitas organizações. Segundo o relatório State of AI Engineering 2026, da Datadog, 69% das organizações analisadas utilizavam três ou mais modelos de inteligência artificial em seus ambientes [1].

O levantamento foi realizado a partir de dados de clientes da Datadog com aplicações de IA em produção. Portanto, não representa necessariamente a realidade de todas as empresas, mas evidencia a diversificação de modelos nos ambientes analisados.

À medida que essa diversidade aumenta, surge uma questão importante: como controlar quem utiliza os modelos, quais políticas devem ser respeitadas e quanto cada aplicação ou agente está consumindo?

É nesse contexto que ganha relevância o AI Gateway, ou gateway de inteligência artificial, uma camada que permite intermediar e controlar as interações entre aplicações, agentes e serviços de IA.

O que é um AI Gateway e como funciona

Um AI Gateway funciona como um ponto de intermediação entre as aplicações que utilizam inteligência artificial e os modelos ou serviços responsáveis pelo processamento das solicitações.

Em vez de cada aplicação estabelecer conexões independentes com diferentes provedores, o gateway pode oferecer uma camada comum para organizar acessos, encaminhar solicitações e aplicar políticas de utilização.

A IBM define AI Gateway como uma plataforma especializada que conecta aplicações e modelos de IA, permitindo centralizar mecanismos de governança, segurança, roteamento e acompanhamento operacional [2].

Considere uma empresa que utiliza diferentes modelos para interpretar documentos, responder perguntas e analisar informações. Sem uma camada comum, cada aplicação pode precisar administrar suas próprias credenciais, limites e mecanismos de monitoramento.

Com um AI Gateway, parte desses controles pode ser organizada de maneira compartilhada, preservando a utilização dos modelos mais adequados para cada necessidade.

Essa abordagem também facilita o acompanhamento de solicitações encaminhadas a diferentes provedores e, dependendo da solução adotada, permite estabelecer critérios para selecionar modelos conforme requisitos de custo, desempenho ou disponibilidade.

O principal benefício não está em concentrar todos os modelos em um único fornecedor, mas em criar condições para utilizá-los com políticas e controles consistentes.

A documentação da Microsoft para o Azure API Management confirma essa abordagem, incluindo recursos para autenticação, autorização, gerenciamento de tráfego, limites de consumo e observabilidade das interações com serviços de IA [3].

Entretanto, as funcionalidades disponíveis variam conforme o produto e sua configuração. Nem todo AI Gateway oferece o mesmo nível de controle ou integração.

Como controlar acessos, políticas e consumo de IA

Uma das principais dificuldades na utilização corporativa de IA está em garantir que diferentes aplicações respeitem as políticas estabelecidas pela organização.

Imagine que uma empresa disponibilize modelos de IA para agentes de atendimento, equipes de desenvolvimento e aplicações administrativas.

Cada grupo possui necessidades diferentes. Determinadas aplicações podem utilizar modelos mais avançados, enquanto outras executam tarefas simples que não justificam o mesmo nível de processamento e custo.

Também podem existir restrições relacionadas aos dados utilizados, ao volume de solicitações ou às condições de acesso aos serviços.

Um AI Gateway pode ajudar a administrar essas diferenças por meio de políticas aplicadas às chamadas que passam por ele.

A Microsoft documenta, por exemplo, mecanismos para estabelecer limites de consumo de tokens por aplicação ou consumidor, evitando que uma única aplicação utilize toda a capacidade disponível e prejudique outras atividades [3].

Essa capacidade é especialmente importante quando diferentes áreas compartilham recursos de IA.

Controlar o consumo não significa apenas descobrir quanto foi gasto ao final do mês. Significa também estabelecer limites e acompanhar a utilização durante a operação.

A documentação do Google Cloud Apigee apresenta recursos semelhantes, incluindo políticas de segurança, limites de tokens e roteamento de solicitações entre modelos conforme regras de utilização [4].

Esses mecanismos ajudam a organizar três aspectos importantes da operação: quem pode acessar determinados serviços, quais condições devem ser respeitadas e como o consumo evolui ao longo do tempo.

Além disso, o acompanhamento das solicitações pode fornecer informações sobre volumes processados, tempos de resposta, utilização de tokens e eventuais falhas.

Essa visibilidade permite identificar mudanças no padrão de utilização e apoiar decisões sobre capacidade, custos e eficiência.

Entretanto, existe uma distinção importante. Limitar tokens ou solicitações não equivale, necessariamente, a controlar todos os custos de uma aplicação de IA.

Um processo pode envolver diferentes modelos, ferramentas, serviços externos e múltiplas etapas de execução. Por isso, os controles do gateway precisam ser complementados por uma visão mais ampla dos custos operacionais, incluindo identidade e acesso de agentes e o custo real além dos tokens, especialmente quando a empresa utiliza agentes autônomos.

Por que AI Gateway e AgentOps são complementares

O AI Gateway contribui para controlar o acesso aos modelos e serviços de inteligência artificial. Entretanto, o funcionamento de um agente envolve atividades que podem ultrapassar essas interações.

Um agente de atendimento, por exemplo, pode consultar um modelo de linguagem para interpretar uma solicitação, acessar o cadastro do cliente, verificar informações financeiras e executar uma ação em um sistema corporativo.

O gateway pode acompanhar e controlar as chamadas aos modelos que passam por ele. Mas isso não significa, necessariamente, que consiga compreender ou governar todas as decisões e ações realizadas pelo agente durante o processo.

Essa diferença ajuda a explicar a relação entre AI Gateway e AgentOps, abordagem voltada à orquestração, ao monitoramento, à observabilidade e à governança dos agentes de IA em operação.

A IBM também diferencia o AI Gateway do AI Agent Gateway, uma camada voltada a interações mais amplas dos agentes com ferramentas, sistemas e outros agentes [5].

Essa distinção é útil para compreender as responsabilidades envolvidas, embora as funcionalidades possam se sobrepor nas soluções disponíveis no mercado.

Para uma empresa, o desafio não termina no controle de acesso aos modelos. É necessário acompanhar o comportamento dos agentes, suas interações com sistemas corporativos, as tarefas executadas e os recursos consumidos.

O AI Gateway ajuda a controlar como os recursos de IA são acessados e utilizados, enquanto AgentOps amplia essa visão para a operação dos agentes e os processos dos quais participam.

As duas capacidades se complementam, especialmente em ambientes nos quais diferentes equipes utilizam múltiplos modelos, aplicações e plataformas.

Essa combinação contribui para evitar que o crescimento do uso de IA aconteça de forma fragmentada, com controles diferentes em cada aplicação e pouca visibilidade sobre a operação.

O objetivo não é substituir as ferramentas existentes, mas estabelecer mecanismos que permitam utilizar diferentes tecnologias com maior consistência, rastreabilidade e governança.

Da visão à prática: ARGUS

À medida que empresas ampliam a utilização de modelos e agentes de inteligência artificial, torna-se importante acompanhar não apenas o consumo dos serviços, mas também como esses recursos são utilizados nos processos corporativos.

O ARGUS, plataforma de Inteligência Operacional e Agêntica da Target Solutions, combina capacidades de AgentOps e AI Gateway para apoiar essa necessidade.

Por meio de AgentOps, a plataforma contribui para a orquestração, o monitoramento, a observabilidade e a governança dos agentes de IA, oferecendo visibilidade sobre sua atuação e suas interações com a operação corporativa.

A camada AI Gateway complementa essa proposta ao apoiar a aplicação de políticas de acesso e utilização dos recursos de inteligência artificial.

O ARGUS também permite acompanhar individualmente o consumo de tokens e os custos associados a cada agente, contribuindo para identificar padrões de utilização e apoiar decisões de controle e otimização.

Ao conectar agentes, pessoas e ferramentas em um contexto operacional compartilhado, a plataforma ajuda as organizações a ampliar o uso da IA sem perder a visibilidade sobre sua operação.

Conheça o ARGUS e veja como funciona na prática.

Sobre a Target Solutions

A Target Solutions é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em soluções para ambientes críticos de TI e Telecom.

Ao longo de mais de 15 anos, participamos de projetos envolvendo infraestrutura, monitoramento, observabilidade, automação, integração de plataformas e operações de redes e serviços, trabalhando com grandes organizações e ambientes de alta complexidade.

Essa experiência nos permitiu acompanhar de perto a evolução das operações, do monitoramento tradicional à observabilidade, da automação à inteligência artificial e, agora, a ambientes nos quais agentes de IA começam a participar de processos, decisões e operações corporativas.

É nesse contexto que desenvolvemos o ARGUS, nossa plataforma de Inteligência Operacional e Agêntica, que combina capacidades de AgentOps, AI Gateway e AIOps para integrar o contexto da operação à atuação dos agentes de IA, ampliando visibilidade, governança, rastreabilidade e controle à medida que pessoas, automações, sistemas e agentes passam a compartilhar o ambiente operacional.

Sobre o autor

Paulo Florêncio de Menezes é cofundador da Target Solutions e atua há mais de 15 anos em projetos relacionados a infraestrutura, monitoramento, observabilidade, automação e operações de TI e Telecom.

É graduado em Processamento de Dados pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral (FDC) e Mestrado Profissional em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em sua pesquisa de Mestrado, desenvolveu o IBEOP-IA (Índice Brasileiro de Exposição Ocupacional Potencial à Inteligência Artificial), investigando a exposição potencial das ocupações brasileiras às capacidades da IA por meio da combinação de dados ocupacionais, patentes de inteligência artificial e técnicas de processamento de linguagem natural.

Referências

[1] Datadog. State of AI Engineering 2026. 21 abr. 2026. Relatório sobre utilização de modelos, aplicações de IA em produção e complexidade operacional.

[2] IBM. O que é um gateway de IA? IBM Think. Definição, funcionamento e principais capacidades dos AI Gateways.

[3] Microsoft. AI Gateway Capabilities in Azure API Management. Microsoft Learn. Documentação sobre autenticação, políticas, limites de tokens e observabilidade.

[4] Google Cloud. AI Gateway Capabilities. Apigee Documentation. Documentação sobre governança de tráfego de IA, políticas de utilização e roteamento de modelos.

[5] IBM. What Is an Agent Gateway? IBM Think. 29 jul. 2026. Discussão sobre diferenças entre API Gateway, AI Gateway e AI Agent Gateway.