Target Solutions
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Internet das Coisas (IoT)

Implementação de IoT em Telecom: como a Target integrou MQTT e Zabbix ao monitoramento de infraestrutura

Uma falha de energia em um equipamento remoto pode aparecer para a operação como uma interrupção de comunicação. Uma bateria em descarga pode manter o ponto funcionando enquanto sua autonomia diminui. Em uma infraestrutura compartilhada, identificar esses sinais também ajuda a separar problemas da operadora responsável pela infraestrutura daqueles relacionados aos equipamentos das empresas atendidas.

Este case descreve um projeto realizado para uma operadora de telecomunicações com atuação nacional. Para preservar as informações do cliente, sua identidade não será divulgada. Ao longo do artigo, vamos nos referir à organização como “operadora”.

A operadora precisava ampliar a visibilidade sobre os componentes que sustentam sua infraestrutura distribuída. A TARGET assumiu integralmente os serviços do projeto: definição da arquitetura, seleção e configuração das tecnologias, desenvolvimento das integrações, implantação, capacitação da equipe e operação da plataforma. O trabalho conectou a telemetria dos dispositivos ao monitoramento, ao diagnóstico e ao encaminhamento de ocorrências.

Na solução projetada e implementada pela Target, MQTT é o protocolo de comunicação, EMQX é o software de broker e Zabbix é o software de monitoramento. A Target desenvolveu a camada que integra essas tecnologias e estruturou o histórico em PostgreSQL e TimescaleDB. O primeiro modelo integrado reúne 39 itens de monitoramento e 32 regras configuradas, e a plataforma dispõe de modelos e mapeamentos preparados para seis famílias de dispositivos. Esses números descrevem o escopo técnico entregue, e não a quantidade de equipamentos implantados em campo.[1]

O projeto dá uma perspectiva prática à discussão apresentada em IoT no Brasil em 2026: o que os dados revelam sobre o mercado: a expansão da infraestrutura conectada precisa ser acompanhada pela capacidade de operar os equipamentos e utilizar seus dados.

O desafio de monitorar uma infraestrutura distribuída

O ambiente reúne equipamentos instalados em pontos externos, dependentes de alimentação elétrica, retificadores, baterias, barramento de corrente contínua e comunicação. A falha de um desses componentes pode comprometer o serviço e exigir a atuação de equipes com responsabilidades diferentes.

Sem uma visão centralizada das condições desses pontos, o atendimento pode começar com uma reclamação de indisponibilidade e poucas evidências sobre sua origem. A equipe precisa investigar se houve perda de energia, comprometimento da bateria, problema de comunicação ou falha em outro componente antes de definir o encaminhamento adequado.

O objetivo do cliente era reunir medições, eventos e histórico em uma plataforma que permitisse acompanhar os ativos e qualificar essa investigação. A implantação também precisava atender aos requisitos de acesso corporativo e acomodar equipamentos de diferentes fabricantes, sem exigir uma plataforma de monitoramento independente para cada modelo.

Para a Target, isso significava conectar três dimensões do projeto: a telemetria produzida no equipamento, a interpretação técnica das mensagens e o contexto necessário ao atendimento.

Como a arquitetura IoT foi definida e implementada

A TARGET organizou a plataforma em camadas, com responsabilidades distintas para comunicação, integração e monitoramento. Essa separação permite adaptar o tratamento de um novo modelo de dispositivo sem concentrar todas as particularidades do fabricante nas regras operacionais.

Os equipamentos publicam medições e eventos por MQTT, utilizando comunicação protegida por TLS. O protocolo trabalha com publicação e assinatura de mensagens, intermediadas por um broker. A especificação MQTT trata o conteúdo dessas mensagens como dado da aplicação; portanto, utilizar o mesmo protocolo não garante que diferentes dispositivos adotem os mesmos campos, unidades ou códigos.[2]

Para conectar a mensageria ao monitoramento, a Target desenvolveu em Go o Plugin Target. Essa camada própria interpreta os tópicos e os dados recebidos, identifica o equipamento e encaminha os valores aos itens correspondentes no Zabbix.[1]

A equipe também implantou o PostgreSQL com TimescaleDB para armazenar o histórico e os eventos, permitindo consultar a evolução das condições monitoradas. O fluxo de dados foi estruturado pela Target para transformar a mensagem recebida em informação associada ao ativo e disponível à operação.

Essa escolha aproveita o Zabbix como plataforma de monitoramento e acrescenta uma integração específica para as necessidades do projeto. O produto oferece mecanismos de recebimento de dados externos e APIs de gestão de hosts; a lógica de tradução e cadastro utilizada neste case foi desenvolvida pela Target.[4]

Essa combinação entre telemetria de campo e infraestrutura central aprofunda o tema do artigo Monitoramento IoT e monitoramento de TI: o que muda na prática?. No case, a Target aplicou essa visão ao integrar mensagens dos dispositivos, regras de monitoramento e histórico em uma arquitetura comum.

EMQX como camada de comunicação dos dispositivos IoT

O EMQX é uma plataforma de mensageria MQTT que intermedeia a comunicação entre os clientes que publicam dados e os consumidores interessados nessas mensagens. Sua função na arquitetura é receber as conexões e distribuir as publicações conforme os tópicos e as assinaturas, separando a comunicação dos dispositivos do processamento realizado pelas aplicações.[3]

No projeto da operadora, a Target implantou e configurou o EMQX para receber medições, eventos e status dos dispositivos e disponibilizá-los à integração desenvolvida pela equipe. A configuração contempla autenticação das conexões, comunicação protegida e acompanhamento dos clientes conectados. Esses recursos dão à operação evidências para investigar a comunicação, enquanto o Plugin Target cuida da interpretação das mensagens e de sua associação aos ativos monitorados.[1][3]

Essa separação organiza as responsabilidades: a mensageria recebe e encaminha as publicações; a integração própria da Target transforma o conteúdo em dados utilizáveis pelo monitoramento. O trabalho de arquitetura, configuração e integração dessas camadas foi executado integralmente pela Target.

Zabbix como plataforma de monitoramento e apoio à operação

O Zabbix é o software utilizado para reunir os dados monitorados, avaliar condições e disponibilizar informações à equipe de operação. Seus templates permitem organizar configurações de monitoramento reutilizáveis e associá-las aos ativos, estabelecendo uma base comum de acompanhamento para equipamentos com características semelhantes.[4]

Neste case, a Target desenvolveu e configurou os templates das famílias de dispositivos, os itens de coleta, as regras, a classificação de severidade, os painéis e as notificações. A integração própria entrega ao Zabbix os valores interpretados a partir das mensagens MQTT, e a equipe consulta medições e eventos em um ambiente centralizado.[1]

O uso das APIs e dos mecanismos de recebimento de dados do Zabbix permitiu à Target automatizar o cadastro técnico e incorporar a telemetria ao fluxo de monitoramento. A entrega resulta do trabalho da Target de adaptar, integrar e configurar essas capacidades para os requisitos da operadora, além de preparar a equipe para utilizá-las.[1][4]

Integração entre fabricantes e cadastro automático

Um dos requisitos era permitir a incorporação de equipamentos com formatos de mensagem distintos. A Target implementou mapeamentos por família de dispositivo, relacionando o padrão dos tópicos, a identificação do ativo e os itens do modelo de monitoramento.

Com essa organização, a inclusão de uma família compatível envolve preparar seu mapeamento e seu template, além de validar o comportamento do equipamento. O núcleo da plataforma permanece compartilhado. A abordagem reduz o acoplamento aos formatos de um fabricante, preservando as diferenças necessárias à interpretação de cada modelo.

O cadastro técnico também foi automatizado. Ao receber a primeira mensagem de um dispositivo ainda desconhecido, a integração cria o host no Zabbix e associa o modelo correspondente. A operação complementa as informações de identificação e localização necessárias ao atendimento.[1]

O benefício entregue é a retirada da criação manual do host desse caminho de entrada. A automação também padroniza a associação inicial das regras de monitoramento. O contexto operacional continua sob responsabilidade da equipe, que precisa manter o cadastro consistente à medida que os ativos são instalados ou alterados.

O que a plataforma permite acompanhar

No primeiro modelo integrado, os 39 itens compreendem 12 medições, 26 indicações de alarme enviadas pelo dispositivo e um item de status de conexão. O template reúne 32 regras configuradas, combinando condições informadas pelo equipamento e comparações de medições com limiares.[1]

A cobertura inclui alimentação elétrica, tensão do barramento, condições da bateria, retificador, carga e eventos ambientais ou de segurança física. Também contempla indicações relacionadas à comunicação e ao controlador. O objetivo é apresentar os sinais disponíveis de forma organizada, respeitando a telemetria oferecida por cada dispositivo.

O histórico acrescenta uma dimensão importante ao diagnóstico. Em um cenário de queda de energia reproduzido no treinamento, a equipe pôde acompanhar a perda da alimentação, o início da descarga da bateria e a redução posterior da tensão do barramento. A sequência ajuda a compreender como o problema evolui e a formular uma hipótese para o atendimento.[1]

Esse uso combina leitura dos eventos e análise humana. A presença de um item de conexão também não elimina a necessidade de verificar a atualidade dos dados: a idade da última medição recebida é uma evidência relevante para investigar equipamentos que deixam de publicar.

É uma aplicação do problema discutido em Monitoramento de dispositivos IoT: por que conectar não é suficiente?: a operação precisa avaliar se a informação continua chegando e se oferece evidências úteis para o diagnóstico, além de verificar a comunicação.

Nuvem, segurança e continuidade da plataforma

A TARGET implantou a solução na Oracle Cloud Infrastructure, com componentes em contêineres orquestrados por Kubernetes. A arquitetura definida pela equipe contempla mecanismos de recuperação específicos para os serviços e para o banco de dados, de acordo com a função de cada componente.[1]

A implantação incorporou práticas de infraestrutura como código e GitOps, utilizando Terraform, GitLab CI, Helm e ArgoCD. Infraestrutura, pacotes de aplicação e configuração por ambiente são versionados, permitindo revisar mudanças e manter o estado desejado da plataforma sob controle.

No acesso, o projeto separa a comunicação dos dispositivos das interfaces utilizadas pela operação. A autenticação corporativa foi integrada ao Microsoft Entra ID. O histórico, os eventos e as configurações contam com rotinas de backup, enquanto o próprio ambiente acompanha a execução dessas rotinas e a disponibilidade de componentes da solução.[1]

Essas decisões ampliam o escopo da implementação: além de receber mensagens de campo, a plataforma precisa ser administrada, atualizada e supervisionada ao longo da operação.

Entregas e benefícios para a operação

A TARGET colocou em produção uma plataforma com recebimento de telemetria, integração própria com Zabbix, cadastro técnico automático, histórico centralizado e notificações. Também entregou modelos e mapeamentos preparados para seis famílias de dispositivos, com conjuntos de itens e regras adequados às características de cada família.[1]

Os benefícios técnicos podem ser relacionados diretamente a essas entregas. A centralização reúne informações antes dispersas no caminho de investigação. O cadastro automático reduz uma atividade manual de entrada de ativos. Os mapeamentos e templates estabelecem uma forma comum de incorporar equipamentos distintos. O histórico permite examinar a evolução de uma condição, enquanto as notificações levam os eventos configurados à equipe responsável.

A capacitação integrou a entrega. A Target utilizou dispositivos simulados para demonstrar ocorrências, acompanhar sua evolução e exercitar os procedimentos de diagnóstico no ambiente da solução. Assim, a equipe teve contato com os dados e as situações que precisaria interpretar durante a operação.

Os indicadores disponíveis ainda não permitem quantificar redução de custos, de visitas de campo ou de tempo de reparo. Esses ganhos são objetivos a acompanhar conforme o parque avance em campo. Tempo de detecção, tempo de cadastro completo e encaminhamentos realizados com diagnóstico são medidas que podem apoiar essa avaliação.[1]

A implementação demonstra como combinar mensageria IoT, desenvolvimento de integração, monitoramento e infraestrutura em nuvem em torno de um problema operacional concreto. A experiência da Target está nessa articulação: definir como o dado chega, como é interpretado e como se torna útil para as pessoas responsáveis por manter a infraestrutura funcionando.

Da implementação à operação com a Target Solutions

Projetos de IoT exigem escolhas sobre protocolos, equipamentos, modelos de dados, ferramentas de monitoramento e integração aos processos existentes. A TARGET atua na definição da arquitetura, no desenvolvimento das integrações, na implantação e na capacitação das equipes para operar esse conjunto.

Se sua organização precisa implementar monitoramento IoT para ativos distribuídos ou integrar telemetria às ferramentas que já utiliza, converse com a Target sobre o contexto e os requisitos da sua operação.

Sobre a Target Solutions

A Target Solutions atua há mais de 15 anos apoiando organizações na evolução de suas operações de infraestrutura, monitoramento, observabilidade, automação e inteligência operacional. Ao longo dessa trajetória, participou de projetos em ambientes complexos de Telecom, Tecnologia, Governo, Energia e grandes empresas, contribuindo para aumentar a eficiência operacional e a confiabilidade dos serviços. Essa experiência também inclui projetos relacionados à Internet das Coisas (IoT), nos quais conectividade, integração tecnológica e acompanhamento operacional são importantes para transformar dispositivos conectados em soluções úteis às organizações.

Sobre o autor

Paulo Florêncio de Menezes é sócio e CoFounder da Target Solutions e atua há mais de 15 anos em projetos relacionados a infraestrutura, monitoramento, observabilidade, automação e operações de TI e Telecom.

É graduado em Processamento de Dados pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Dom Cabral (FDC) e Mestrado Profissional em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Em sua pesquisa de Mestrado, desenvolveu o IBEOP-IA (Índice Brasileiro de Exposição Ocupacional Potencial à Inteligência Artificial), investigando a exposição potencial das ocupações brasileiras às capacidades da IA por meio da combinação de dados ocupacionais, patentes de inteligência artificial e técnicas de processamento de linguagem natural.

Referências

[1] Documentação técnica do projeto de implementação de IoT em telecomunicações (cliente anonimizado). Versão de 29 de outubro de 2026. Material de referência utilizado na elaboração deste case; não identifica o cliente nem expõe arquivos internos.

[2] OASIS. MQTT Version 5.0. OASIS Standard, 7 de março de 2019. Referência conceitual sobre publicação, assinatura e mensagens; não identifica a versão utilizada no projeto.

[3] EMQX. Documentação oficial da plataforma de mensageria (visão geral) e de autenticação de clientes MQTT, consultada em 29 de outubro de 2026. Referência geral do produto; as opções documentadas não implicam adoção de todos os mecanismos no projeto.

[4] Zabbix. Documentação oficial consultada em 29 de outubro de 2026: Zabbix trapper, API, apresentação de monitoramento IoT e templates/template groups (versão 7.0).